
Aleixo, você sempre trabalhou como motorista de redação?
Fui motorista de caminhão por muito tempo, mas trabalhei durante 18 anos como motorista do jornal O Globo e, do Extra, desde sua criação, em 1998. Infelizmente tive que me aposentar por conta de problemas com a coluna. Até hoje choro escondido, pois não estava pronto para abandonar a profissão.
Por que não estava pronto? Durante os 18 anos você não teve vontade de parar?Sempre fui um grande entusiasta do jornalismo e amava o que eu fazia. Às vezes eu ouvia alguns repórteres reclamando da profissão e via que isso influenciava em suas pautas. Os jornalistas apaixonados eram sempre os donos das melhores reportagens. Gostava tanto que o meu carro era chamado de redação ambulante. Lá, eu reunia todo o aparato para auxiliar os jornalistas: bloquinhos, remédios, canetas...eu também pegava as notas fiscais dos almoços dos repórteres e até fazia reclamações sobre as horas extras cumpridas pelos repórteres.
Como era a sua rotina como motorista de redação?
Corrida, mas muito emocionante. Fazia de tudo um pouco: além de motorista, passava flashes para as redações quando via algum acontecimento. Vivi histórias inesquecíveis e momentos tensos, até mesmo cômicos, como um tiroteio no morro da Lagartixa durante a noite. Tive que ficar agachado para me proteger. Quando vi, uma cadela cheia de pulgas e com um cheiro ruim estava lambendo a minha cara, e nada pude fazer. Enquanto isso, o fotógrafo Eduardo Santoro, do jornal Povo do Rio, me fotografava (risos). Tenho a foto até hoje. Gostava mais das coberturas na Baixada, onde cumpria até oito pautas por dia. Meu carro tinha até o apelido de “Baixadão”, de onde cheguei a dirigir 700 km em um dia.
Aleixo, à direita, com a equipe do Jornal Extra, de
onde guarda boas lembranças
Ao final da entrevista, Aleixo contou em tom emocionado o quanto sente falta desta rotina. Não deixe de ouvir mais histórias na próxima quarta-feira durante o Controversas!
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